Depois de uma semana de incertezas, lamentações e até consultas técnicas com minha tia, engenheira agrônoma, enfim as sementes germinaram.
Primeiro pensei que as sementes eram falsas. Tão pequenas que pareciam até ter sido moídas. Depois achei que eu tinha regado demais. Em seguida, culpei o frio. Todos os dias eu inventava uma desculpa diferente para justificar o não nascimento das sementes.
O que eu não sabia — ou talvez não conseguisse compreender — é que cada coisa acontece em seu próprio tempo. Não adianta querer abreviar os processos.
Acredito que vivemos em uma era em que tudo é rápido e imediato. Quando eu era mais jovem, precisava esperar semanas para que os Correios entregassem minhas cartas de Magic: The Gathering. Hoje, em alguns casos, as compras feitas pela internet chegam no mesmo dia.
Quando era criança, também precisava esperar dias para baixar os jogos que queria jogar. Hoje, tudo é praticamente instantâneo. Baixamos dezenas ou até centenas de gigabytes em poucos minutos.
Talvez tenhamos nos acostumado tanto à velocidade que esquecemos que a natureza não segue o mesmo ritmo. Ela tem seu próprio relógio.
Para uma semente tão pequena e delicada quanto a do tabaco se transformar em uma planta de quase dois metros de altura, é preciso tempo, cuidado e paciência. Muito mais do que estamos acostumados a oferecer nos dias de hoje.
Algumas coisas simplesmente não podem ser aceleradas. Projetos, relacionamentos, aprendizados e até mudanças pessoais precisam de tempo para criar raízes antes de aparecerem na superfície. Às vezes, a impressão de que nada está acontecendo é apenas o sinal de que o crescimento ainda está ocorrendo onde não conseguimos enxergar.
Assim como as sementes, talvez algumas das coisas pelas quais mais esperamos e mais desejamos estejam apenas seguindo seu curso natural.

Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro. ✦