Em um pacato condomínio residencial, habitado majoritariamente por famílias tranquilas e jovens muito mais bem informados do que deveriam, um acontecimento peculiar passou a chamar a atenção da vizinhança.
Tudo começou quando uma misteriosa luz rosa de amplo espectro surgiu na sacada do meu apartamento. Para quem não sabe, esse tipo de iluminação é frequentemente utilizado em cultivos indoor. Para quem sabe disso, o problema começa exatamente aí. Pela foto ela parece inofensiva, mas à noite ilumina a varanda de um jeito que faz qualquer vizinho mais imaginativo começar a elaborar teorias kkkkkk.
O que torna a situação ainda mais delicada é que, poucos dias antes do aparecimento da tal luz, eu e minha esposa tivemos uma conversa aparentemente inocente dentro do elevador, na presença de alguns vizinhos. Em determinado momento, debatíamos a possibilidade de um dia vender algo "legalmente". Na sequência, argumentei que vender algo já "enrolado" não seria uma boa estratégia, pois cada pessoa prefere fumar do seu próprio jeito.
Na minha cabeça, a conversa fazia todo sentido.
Na cabeça dos vizinhos, talvez eu estivesse discutindo o plano de negócios de uma operação internacional.
Foi só algum tempo depois que percebi o potencial catastrófico da combinação entre aqueles dois eventos: primeiro a conversa extremamente ambígua; depois a luz rosa brilhando na varanda todas as noites como um farol psicodélico visível do espaço.
Hoje, olhando para trás, admito que as palavras que saíram da minha boca podem ter causado um nível de estranheza suficiente para despertar certas suspeitas. Não estou dizendo que meus vizinhos acreditam que eu esteja cultivando algo ilícito.
Estou apenas dizendo que, se um dia o síndico bater à minha porta e me chamar de "Pablo", talvez eu já saiba o motivo.
Espero sinceramente que seja por causa do bigode.

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